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Ajuda em Ação preocupada com novos deslocamentos massivos nas fronteiras moldavas

05-05-2022 Leitura 4 Minutos 3

Estamos preocupados com as últimas tensões observadas nas fronteiras moldavas, que podem vir a desencadear novos deslocamentos em massa.

A situação cada vez mais delicada de Odessa e da região pró-russa da Transnístria colocam em risco a estabilidade da Moldávia, um país com pouco mais de 2,6 milhões de habitantes e um dos mais pobres da Europa. A Ucrânia e a Moldávia partilham uma fronteira de 939 km que serve de fuga para milhões de ucranianos afetados pela guerra no Sul do seu país.

Uma situação preocupante num país já vulnerável

“Estamos muito preocupados com os últimos acontecimentos observados na região. Se as tensões em Odessa e arredores e no território de Transnístria escalarem, pode gerar-se um aumento massivo do número de pessoas refugiadas, para o qual a Moldávia, um país com um dos Índices de Desenvolvimento Humano (IDH) mais baixos da Europa, não está preparada”, comenta Alberto Casado, Diretor de Advocacy na Ajuda em Ação em Espanha.

Segundo o Escritório do Alto-Comissário das Nações Unidas para os Direitos Humanos calcula-se que, entre 24 de fevereiro e 15 de abril, 421 130 pessoas fugiram da Ucrânia para a Moldávia. Dessas, 101 331 decidiram ficar no país. Estes números, que representam respetivamente 16 e 3,8% da população moldava, indicam um número muito elevado de refugiados que terão de ser apoiados. Esta é uma situação que poderá agravar-se e exigir ainda mais atenção humanitária nas próximas semanas.

“Prestamos ajuda às pessoas provenientes da Ucrânia, mas também às organizações locais e às famílias de acolhimento. Estamos a prestar apoio através de transferências monetárias, que em situações como a atual são a forma mais eficiente e eficaz para aliviar o peso económico que o fluxo de pessoas refugiadas pode provocar”, observa Casado.

Ajuda em Ação, mobilizada desde o primeiro momento

A Ajuda em Ação tem estado a trabalhar com os seus parceiros da rede Alliance2015, desde o despontar do conflito, tanto na Ucrânia como nos países fronteiriços. Na Moldávia unem esforços para responder às necessidades imediatas das pessoas refugiadas, facilitando o acesso a comida e água, reabilitando centros de acolhimento e distribuindo kits de higiene e outros materiais de primeira necessidade.

“Também se estão a realizar atividades de apoio psicossocial”, destaca desde a Moldávia Maxence Defontaine, porta-voz da Ajuda em Ação em Espanha. “São famílias que tiveram de deixar tudo de um dia para o outro à procura de refúgio para salvaguardar as suas próprias vidas. A este trauma soma-se o da separação: 48% das pessoas refugiadas na Moldávia são crianças e 42% são mulheres. Quase não há homens. O que vemos chegar são famílias separadas que deixaram não só a sua casa e terra para trás, mas também um pai, um irmão, um primo ou outro familiar ou amigo”, acrescenta Defontaine.

Especial preocupação com a juventude

A intervenção da Ajuda em Ação é orientada, com grande peso, à população jovem. As situações de vulnerabilidade que afetam esta franja da população podem condicionar não só o seu presente, mas também o seu futuro e as suas oportunidades.

“Sabemos o quão crucial é no desenvolvimento das pessoas o momento em que deixam a infância e entram no mundo dos adultos. É um momento fundamental de aprendizagem, de procura de independência e autonomia para entrar no mundo do trabalho”, comenta Casado. “É por isso que é e será necessário reforçar a atenção psicossocial deste coletivo de jovens que também já vem afetado pelas medidas de combate à COVID-19”, acrescenta.

Além disso, e após a recente visita de António Guterres à Ucrânia, a Ajuda em Ação destaca a necessidade de intensificar o apoio e acompanhamento às instituições moldavas, às suas organizações de sociedade civil e às organizações humanitárias que estão mobilizadas na primeira linha de apoio para proporcionar toda a ajuda necessária às pessoas refugiadas e acolhidas.

Responder à crise na Ucrânia sem esquecer outras crises humanitárias latentes

A Europa tem a responsabilidade de responder à crise na Ucrânia sem esquecer outras crises latentes menos mediáticas e que passaram a segundo ou terceiro plano e que também estão a originar crises de milhões de deslocados e refugiados. “A necessária intervenção na Ucrânia e arredores para responder ao fluxo de pessoas refugiadas não nos deve fazer esquecer outros refugiados e refugiadas que fogem de outros países em guerra ou com conflitos latentes. Todas as pessoas merecem ser apoiadas da mesma forma pelo Direito Internacional Humanitário”, destaca o nosso Diretor de Advocacy em Espanha Alberto Casado.

Como Fundação, há que reconhecer o esforço dos governos espanhol e português para mobilizar fundos importantes para responder à crise na Ucrânia, mantendo os seus compromissos de resposta a outros conflitos. Não se deve esquecer que enquanto a guerra continua a alastrar-se na Ucrânia, ainda existem conflitos e necessidades humanitárias na Síria, Afeganistão, República Democrática do Congo, Etiópia, Sul do Sudão, fronteira Sul de Espanha, Mediterrâneo, Venezuela e a rota migratória para o Norte da América Central. “É importante que os governos também enviem estas mensagens agora que outros países da União Europeia estão a mover fundos destinados a outras crises para fazer face à crise ucraniana”, conclui Casado.