#SOMOSAJUDA de 1981 |
Categorías

Água e coronavírus: como salvamos vidas em Moçambique

21-02-2022 Leitura 3 Minutos 3

Água e coronavírus são uma dupla inseparável no contexto desta pandemia. Porque o uso da água com sabão é a ferramenta mais poderosa para evitar novos contágios. Hoje contamos-lhe como durante anos ajudámos as comunidades rurais de Moçambique a enfrentarem riscos como os que atualmente vivemos em todo o mundo.

O contexto: recuperar de um desastre

«Nascer num lugar determinado, para quem nasce, é sempre um acaso», cantava Maxime Le Forestier. Nascer em Moçambique significa ter 7,3 % de possibilidade de morrer antes dos cinco anos, cerca de 60 % de probabilidades de viver abaixo do limiar da pobreza e uma esperança de vida de cerca de 60 anos.

Antes da pandemia de Covid-19, Moçambique recuperava do impacto dos ciclones Idai e Kenneth, que atingiram o país em 2019. Estas catástrofes naturais provocaram avultadas perdas materiais, colocaram mais de dois milhões de pessoas em dependência de ajuda humanitária urgente e obrigaram ao deslocamento de 140 000. Atualmente, ainda existem famílias a viver em abrigos temporários.

Ao impacto da Covid-19 e dos ciclones junta-se agora um novo obstáculo: a crescente violência em Cabo Delgado, situação que está a forçar mais de 435 000 pessoas a abandonar as suas terras.

O surgimento do coronavírus e a falta de fontes de água potável, um risco acrescido

O impacto sanitário e socioeconómico do coronavírus agravou uma situação já por si complicada. Desde março de 2020 detetaram-se em Moçambique mais de 11 700 casos e morreram 82 pessoas devido à Covid-19. Para conter a propagação do vírus, o governo moçambicano decretou em março o estado de emergência, que foi levantado a 6 de setembro. Durante este período os atos públicos estiveram proibidos, as escolas e as fronteiras fechadas e o movimento de pessoas limitado.

Desde 9 de setembro o país encontrou-se em estado de «Calamidade Nacional» até data por determinar. Esta mudança no estado de emergência anterior significa medidas menos restritivas, planos de reabertura das escolas e menores restrições à mobilidade no país.

A maior parte dos moçambicanos e moçambicanas vivem em comunidades rurais, nas quais o acesso a serviços essenciais como a água potável — tão necessário neste momento para restringir os contágios de coronavírus — é limitado. Na comunidade de Nacuca, na província de Cabo Delgado, situada no norte de Moçambique, vive Lucinda António com o seu marido e filhas. A Ajuda em Ação trabalha nesta região desde 1997, na qual a construção de fontes de água potável tem sido até agora uma das nossas principais linhas de trabalho.

O testemunho de Lucinda

«Antes não tínhamos água potável na nossa comunidade, todos os dias tínhamos de percorrer cerca de 10 km até chegar ao rio Lurio. Daí trazíamos a água que precisávamos para beber, cozinhar, para a nossa higiene e limpezas. Era assim que fazíamos até a Ajuda em Ação chegar. Como noutras aldeias da zona, a organização construiu aqui um poço de água potável e a partir daí, temos água segura. Estou agradecida à Ajuda em Ação e gostaria que construísse mais poços nas aldeias que precisem.»

Antes da chegada da Covid-19 a Ajuda em Ação procurou impulsionar várias ações destinadas a formar e sensibilizar os habitantes das comunidades sobre hábitos saudáveis de higiene pessoal.

«A Ajuda em Ação capacitou o Comité da Água da minha comunidade para que este mostre boas práticas e crie hábitos de higiene. Graças a esta iniciativa, reduziram-se muito as doenças na nossa aldeia e a nossa saúde melhorou muito», comenta Lucinda.

Um trabalho de prevenção de riscos permite reduzir o número de contágios por coronavírus nas zonas em que a Ajuda em Ação trabalha em Moçambique.

Desde março, pusemos em marcha uma série de iniciativas para conter a expansão do coronavírus. Entre outras ações, instalámos pontos de lavagem de mãos em zonas de grande afluência, distribuímos kits de higiene, aumentando a capacidade de resposta de vários centros de saúde em Cabo Delgado, e formámos pessoal de saúde.

Capacidade de adaptação, a chave do nosso trabalho

Apesar das dificuldades, conseguimos proporcionar ajuda humanitária a pessoas deslocadas por diferentes questões, garantindo o seu acesso a assistência de saúde, água potável e roupa.

Parte do nosso trabalho consiste em analisar o contexto e necessidades das comunidades. Apenas desta forma poderemos proporcionar-lhes as ferramentas e os meios necessários para que os seus habitantes vivam com dignidade e tenham os seus direitos garantidos.

Por vezes as circunstâncias mudam drasticamente, como pudemos comprovar com a irrupção dos ciclones ou do coronavírus. O trabalho prévio que fazemos é chave para assegurar uma capacidade de adaptação a novos cenários com a finalidade de que a nossa intervenção continue a ser de utilidade para as pessoas que dela mais necessitam. Em Moçambique e em mais de 20 países de todo o mundo #SomosAjuda.