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Coronavírus: um passo atrás na luta contra a pobreza

07-07-2020 Leitura 3 Minutos 3

Ajuda em Ação

Em plena luta contra a Covid-19, já começamos a conhecer algumas das estimativas sobre como o coronavírus afetará a luta contra a pobreza. E não são nada animadoras. Segundo um estudo levado a cabo pelo King College em Londres e pela Universidade da Austrália – a pedido da Oxfam -, a pandemia global pode atirar para a pobreza mais 500 milhões de pessoas em todo o mundo. Torna-se evidente que o coronavírus e a pobreza não são bons companheiros de viagem: uma vez mais, as pessoas mais vulneráveis serão as mais afetadas.

Coronavírus e a pobreza: os primeiros dados

A Covid-19 está a ter impacto na vida de todos, mas não de forma igual. As medidas de confinamento, a crise económica que se avizinha, o aumento do desemprego, a destruição de emprego, ou o desigual acesso à educação online são algumas das consequências que já estamos a viver e que farão com que retrocedamos vários anos – em algumas regiões até décadas – no alcance dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável.

– O Banco Mundial afirma que a crise que virá como consequência da pandemia reverterá todos os progressos feitos nos últimos 5 anos. Além disso, estima que pela primeira vez desde 1998, as taxas anuais de pobreza aumentem.

– O estudo do King College em Londres e da Universidade da Austrália aponta para um retrocesso de uma década na luta contra a pobreza. E de até 30 anos em regiões como a África ou o Médio Oriente.

– No início da crise sanitária, a Organização Internacional do Trabalho afirmava que se perderiam 25 milhões de postos de trabalho em todo o mundo. Hoje, prevê-se que este número possa ser inclusivamente maior.

– Só em África, perderam-se metade dos postos de trabalho, muitos deles associados à economia informal.

– A Unicef estima que o coronavírus deixará condenadas à pobreza mais de 4 milhões de crianças. Isto terá repercussões no aumento do trabalho infantil, do casamento infantil e do abandono escolar.

coronavírus e a educação

Aumento do desemprego

Uma das principais causas deste aumento da pobreza é a perda dos meios de subsistência. Nos países desenvolvidos, as taxas de desemprego alcançaram valores históricos. As medidas de confinamento não ajudaram, já que deixaram sem qualquer fonte de rendimento milhões de pessoas com empregos relacionados com a economia informal. Isto torna-se especialmente preocupante nos países em desenvolvimento, onde se estima que 90% dos empregos fazem parte desta economia informal.

As consequências na economia dos países em desenvolvimento

O FMI estima que a economia mundial terá uma contração de 3% devido ao coronavírus. A pior parte decorrerá nos países em desenvolvimento. Na sua maioria, trata-se de economias onde o turismo, a exportação de bens e as remessas dos migrantes têm um papel fundamental. Um encerramento prolongado das fronteiras, a juntar à crise que se avizinha, trará consequências devastadoras para as suas economias.

Falta de acesso à educação

A educação é uma peça fundamental para quebrar o círculo da pobreza. As medidas de confinamento da população fizeram com que cerca de 700 milhões de meninos e meninas em todo o mundo deixassem de ter acesso à educação. Neste contexto, a exclusão digital torna ainda mais evidentes – e agrava – as desigualdades que já existiam, minando assim as oportunidades para o futuro de milhões de crianças por todo o mundo, privando-as de um direito fundamental.

Organizações por todo o mundo mobilizaram-se desde o primeiro momento para fazer frente a esta emergência global. É o caso da Ajuda em Ação: através da campanha “Perante a Covid-19, #SomosAjuda”  estamos a combater os efeitos do coronavírus e da pobreza nos mais de 20 países em que estamos presentes. Hoje, o nosso trabalho faz mais sentido do que nunca: a cooperação internacional será imperativa para que estes números se fiquem apenas por estimativas e não se tornem realidade.