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Tipos de desnutrição e os seus efeitos

08-08-2018 Leitura 4 Minutos 3

Ajuda em Ação

Um dos dos grandes problemas dos países em desenvolvimento é a desnutrição infantil. A falta de acesso a alimentos, as secas, a pobreza e muitos outros fatores propiciam este problema.

Que tipos de desnutrição existem?

Os tipos de desnutrição podem agrupar-se de diferentes formas. Por exemplo, podem ser agrupados em função das carências apresentadas pelas pessoas que sofrem de desnutrição:

  • Desnutrição calórica ou marasmo: este tipo de desnutrição ocorre em pessoas que consomem uma quantidade de alimentos escassa, isto é, que não comem o que deveriam. Provoca atrasos no crescimento das crianças, perda de tecido adiposo e magreza extrema, que pode inclusivamente chegar a ser considerada caquexia. Outras consequências são o cansaço generalizado e o baixo rendimento laboral e académico.
  • Desnutrição protéica: a desnutrição protéica ocorre em pessoas cuja dieta apenas contém proteína e que se alimentam, sobretudo, de carboidratos. Este tipo de desnutrição causa uma menor resistência do corpo às infeções, hérnias abdominais, alterações na pele, problemas hepáticos…

A desnutrição também pode ser classificada em função da relação entre o peso e o tamanho:

  1. Desnutrição aguda leve: aqui o peso é normal para a idade da pessoa, mas o tamanho é inferior ao normal.
  2. Desnutrição aguda moderada: uma pessoa com este tipo de desnutrição pesa menos do que deveria para a sua estatura.
  3. Desnutrição aguda grave: neste caso, o peso está muito abaixo do que seria suposto (é inferior a 30% do normal) e as funções corporais vão-se alterando. Trata-se de uma situação crítica, com elevado risco de morte para a pessoa que sofre desta doença.
  4. Carência de vitaminas e minerais: quando ocorre esta situação, a pessoa não é capaz de levar a cabo as suas tarefas diárias devido ao cansaço, a defesas baixas que favorecem o aparecimento de infeções ou a dificuldades de aprendizagem.

Infancia

A desnutrição crónica: um dos piores tipos de desnutrição

A desnutrição crónica deve-se, principalmente, à falta de nutrientes como a vitamina A, ácido fólico, iodo, proteínas ou ferro, mas também resulta de outros fatores, como por exemplo a falta de acesso a água potável que provoca diarreias constantes que impedem a correta assimilação dos nutrientes, dificultando ainda mais a nutrição das crianças. Este tipo de desnutrição afeta mais de 160 milhões de crianças em todo o mundo, das quais a grande maioria – cerca de 90% – reside em África e na Ásia.

Os efeitos deste tipo de desnutrição são visíveis a longo prazo, principalmente porque a criança fica com um atraso no crescimento, ou seja, não alcança os percentis previstos para as crianças da sua idade. Isto acontece quando o corpo não recebe todos os nutrientes que necessita, sobretudo durante os primeiros anos de vida e, também, durante a gravidez. Assim, a desnutrição crónica da crianças também é afetada pelo nível de nutrição da mãe.

Este período que inclui a gestação e os primeiros anos de vida é conhecido pelos 1.000 dias críticos para a vida: é durante esta etapa que ocorre o desenvolvimento básico da criança e, portanto, uma boa nutrição é crucial. Depois dos dois anos de idade, a desnutrição crónica pode ter consequências irreversíveis tanto a nível físico como psicológico, perpetuando assim a desigualdade das pessoas que sofrem desta doença.

O desenvolvimento físico de uma criança que sofre de desnutrição é alterado, como referimos no início, e faz com que o seu corpo não alcance os padrões estabelecidos para a sua idade. Para além disso, também causa outros problemas como um sistema imunológico mais débil e uma maior propensão para sofrer com diferentes tipos de doenças.

A desnutrição crónica traz ainda um presente envenenado exclusivamente para as mulheres. As consequências físicas da desnutrição são piores nas raparigas, que crescem com ancas mais pequenas do que o habitual, o que acaba por trazer complicações graves em futuros partos, que podem resultar na morte da mulher e do bebé. Além disso, as mulheres desnutridas que engravidam podem sofrer de um evolução uterina anormal e ter problemas como um menor fluxo sanguíneo que afeta a placenta e o desenvolvimento do feto.

Como consequência, os seus filhos podem sofrer de problemas neurológicos ou intelectuais e também têm uma elevada probabilidade de nascer com um peso abaixo do normal. É desta forma que se perpetua o ciclo da desnutrição crónica.

A nível cognitivo, as consequências são ainda mais graves: uma criança que padeça de desnutrição crónica terá, com quase total certeza, menos competências na escola do que um colega bem nutrido. Estas crianças têm mais dificuldades para aprender a ler ou a escrever, assim como para levar a cabo cálculos numéricos. Como consequência, quando chegam à idade adulta, veem-se obrigados a trabalhar em cargos menos qualificados e com menores rendimentos, perpetuando também, desta forma, o ciclo de probreza.

A luta contra a desnutrição: chave para os países em desenvolvimento

O primeiro passo para erradicar outros problemas passa por poder garantir uma nutrição adequada à população. Desta forma, os países em vias de desenvolvimento poderão diminuir problemas como as elevadas taxas de mortalidade infantil, em primeiro lugar, mas também poderão combater o analfabetismo ou outros problemas enraizados na sociedade. Ajudar a conter os diferentes tipos de desnutrição significa contribuir para o crescimento da sociedade e dos países: uma criança bem alimentada tornar-se-á um adulto que poderá ajudar a sua comunidade a progredir.

A batalha contra a desnutrição deve passar por diferentes áreas: através da formação, para que as famílias e, particularmente, as mulheres tomem consciência da importância de alimentar os seus filhos de forma adequada desde a gravidez; de melhores infraestruturas que garantam o acesso a água potável; de melhores serviços sanitários; de melhorias ao nível da agricultura para diversificar a dieta destas pessoas. Desta forma, milhões de pessoas poderão ter acesso a um futuro melhor e mais possibilidades de escapar à pobreza.

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