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Trabalho informal na Colômbia: escolher entre a fome e o coronavírus

15-06-2020 Leitura 3 Minutos 3

Ajuda em Ação

O “rebusque”, nome dado ao trabalho informal na Colômbia, é a única solução que muitas famílias encontram para ganhar a vida. Atualmente, o confinamento decretado no país por causa do coronavírus está a impedir milhares de pessoas de acederem a direitos básicos, como a saúde ou a alimentação. Descubra como, hoje mais do que nunca, #SomosAjuda contra a COVID-19 na Colômbia.

Trabalho informal na Colômbia: a história de Rogelio

O protagonista desta história chama-se Rogelio Montes, é colombiano e tem 65 anos. Há mais de 40 anos que trabalha na carga e descarga de camiões cheios de tijolos e areia para construção. Hoje é um dos milhares de colombianos que não tem o que comer, devido ao confinamento.

Há 20 anos que ele vive em La Fortaleza, Cúcuta, um bairro onde vivem uma população migrante, principalmente provenientes da Venezuela, população local e pessoas deslocadas que fogem da violência. Foi assim, tentando escapar à violência na Colômbia, que Rogelio chegou a Cúcuta, com apenas 18 anos de idade.

Convidou-nos a entrar em sua casa, com paredes de tábuas, um telhado de zinco e sem janelas. Ali vive com a sua mulher, Doris, as filhas Karent e Angie e dois netos. Rogelio é o único membro da família que trabalha, apesar de não poder fazer isso há um mês devido ao alerta de saúde que o país enfrenta. Como muitas pessoas na Colômbia, ele vive do “rebusque”, ou seja, dos pequenos trabalhos que se conseguem no dia a dia.

Quando questionado sobre como estão a viver a quarentena, a sua voz treme e ele parece ficar sem fôlego, como alguém engasgado com a vida. Diz que não tem sido fácil, que às vezes chora em segredo, que não tomam o pequeno almoço, que o jantar são as sobras do almoço. Os adultos suportam, mas as crianças não. Ele não tem pensão nem recebe subsídio do Estado. Toda a sua vida viveu com trabalhos temporários e informais. A história de Rogelio não é a única, mas reflete a realidade que a maioria das famílias vive atualmente na Colômbia.

Os números do trabalho informal

Se falarmos de trabalho informal, a Colômbia encontra-se no topo da escala mundial. Possui uma taxa de emprego informal de 61,3%, a maior do mundo, segundo o Departamento Administrativo Nacional de Estatística (DANE). Se somarmos a esse valor 60% da população que vive na pobreza multidimensional, a situação torna-se complicada. Além disso, o confinamento apenas expôs as lacunas sociais existentes no país. Um mês após o início da quarentena, muitas casas já exibem lenços vermelhos nas janelas para indicar que não têm nada para comer.

Perante a COVID-19, #SomosAjuda

Na Ajuda em Ação, temos presente que somos todos vulneráveis ao coronavírus, mas nem todos de forma igual. Por esse motivo, na Colômbia trabalhamos para garantir que as pessoas necessitadas tenham condições de vida decentes, também durante a quarentena. Até o momento, já realizámos neste país campanhas de consciencialização para impedir a propagação do vírus e entregámos 665 kits de alimentos às famílias mais vulneráveis de Nariño, Cúcuta e Montes de María, com o objetivo de aliviar as tensões e angústias pelo facto de não terem o que comer durante o confinamento.

Graças à nossa resposta humanitária, Rogelio e a sua família não terão com que se preocupar. No entanto, é urgente que as instituições adotem as medidas necessárias para proteger as famílias mais vulneráveis nesta crise. Na Ajuda em Ação, vamos continuar a trabalhar em coordenação com as autoridades e organizações do país, para que ninguém fique para trás. Hoje, mais do que nunca, #SomosAjuda contra o coronavírus.