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Teatro radiofónico contra o outro “vírus” no Peru: a violência de género

30-07-2020 Leitura 3 Minutos 3

Ajuda em Ação

Há mais de 100 dias em quarentena, o Peru já superou os 400.683 casos de COVID-19. A pandemia continua a escalar, a economia a entrar em colapso e, no meio de tanta incerteza, cresce a angústia devido à ameaça de outro vírus no país: a violência de género. Até ao final de maio, o Gabinete do Provedor de Justiça já registou 21 femicídios, 14 tentativas e 557 mulheres e raparigas dadas como desaparecidas. Neste artigo falamos-lhe de uma das ferramentas que estamos a usar para combater o vírus da violência de género no Peru: o teatro radiofónico.

Teatro radiofónico contra a violência de género no Peru

Ainda que a COVID-19 esteja a provocar uma crise sanitária, económica e social de caráter histórico em todo o mundo, esta convive com outras ameaças muito mais antigas. Uma delas é a violência de género que, como já falámos aqui no blog, se tem vindo a agravar durante a pandemia. O aumento de casos de violência machista durante o confinamento social obrigatório no Peru demonstrou que, na maioria dos casos, o agressor está em casa. Por essa razão, na Ajuda em Ação Peru decidimos produzir uma série de peças de teatro radiofónicas para que as mensagens de prevenção contra a violência machista cheguem às famílias mais vulneráveis. Graças à rádio, contamos com um potente altifalante que permite que essas mensagens cheguem às zonas mais rurais, isoladas e empobrecidas do país.

Trata-se de seis peças de teatro radiofónicas, na língua indígena quíchua e em espanhol, denominadas “Construir em família”. Como assinala Marisu Palacios, coordenadora do programa de género da Ajuda em Ação Peru, “graças a estes programas podemos sensibilizar milhares de pessoas e ajudar a que as mulheres saibam a quem pedir ajuda no caso de sofrerem violência de género”. Outros dos temas abordados nos teatros radiofónicos são a distribuição de tarefas do lar, os papéis de género ou como a comunidade pode agir quando testemunha situações de violência.

As mensagens, que estão a ser emitidas em San Miguel, Cajamarca, Cura Mori, Piura e Ollantaytambo Cusco, permitem-nos alcançar cerca de 8.000 famílias. A do pequeno Kevin é uma delas…

Educar para a igualdade desde a infância

Educar para a igualdade na infânciaNa comunidade de Huilloc, em Ollantaytambo (Cusco), o pequeno Kevin, de 12 anos, faz-nos chegar uma mensagem de esperança que nos demonstra a eficácia do teatro radiofónico contra a violência de género: “Eu ouvi na rádio as mensagens e aprendi que não devemos maltratar as mulheres, que devemos ajudar-nos uns aos outros nas tarefas domésticas, que a mãe e o pai devem ajudar-me nas minhas tarefas da escola também”.

Para ele e muitas outras crianças destas comunidades remotas dos Andes, a rádio está a ser a principal ferramenta para que possam continuar com a sua educação durante o confinamento. Nestas regiões, situadas a mais de 3.000 metros de altura, a televisão é um luxo e a Internet uma ilusão. “As pessoas da nossa comunidade devem escutar estas mensagens, talvez algumas delas ainda sejam agressores e, ao ouvir estas mensagens, podem aprender a não agredir o outro. Obrigado por nos fazerem chegar estas mensagens, Ajuda em Ação!”, diz-nos Kevin.

Frente à COVID-19, #SomosAjuda

O teatro radiofónico contra a violência de género faz parte da resposta humanitária que temos vindo a desenvolver na Ajuda em Ação para fazer frente à COVID-19 no Peru. Além da prevenção da violência intrafamiliar e de género, a nossa atuação perante a emergência também inclui:

– Apoio alimentar às famílias mais vulneráveis.

– Distribuição de kits de higiene e prevenção do contágio.

– Formação e material para os profissionais de saúde.

– Campanhas de sensibilização.

– Apoio aos professores, famílias e estudantes durante a educação à distância.

– Acesso a água potável e saneamento.

Graças ao apoio de instituições, sócios e padrinhos, no Peru estamos a conseguir que mais de 9.500 pessoas em situação de pobreza e vulnerabilidade possam enfrentar a COVID-19. Além disso, a nossa atuação neste país faz parte de uma resposta regional que envolve 11 países da América Latina, graças à qual #SomosAjuda para mais de 757.000 pessoas.