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A rapariga e a ciência em contexto rural: a dupla desigualdade

18-03-2021 Leitura 3 Minutos 3

Ajuda em Ação

Apenas 28% das pessoas que trabalham na área de investigação, no mundo, são mulheres. Em estudos como a Engenharia ou Arquitetura, representam um quarto do número total de estudantes em Espanha – 12,5% no caso da Informática. Estes dados realçam a grande diferença de género que existe nas áreas CTEM (ciência, tecnologia, engenharia e matemática). Uma das principais causas é a falta de interesse das mulheres por este tipo de assuntos. Mas como se gera interesse pela ciência numa rapariga que vive num ambiente rural onde há menos opções educacionais?

As raparigas na ciência: como ultrapassar as barreiras?

Aumentar a presença das mulheres nos campos científicos ou tecnológicos é um dos grandes desafios da nossa sociedade. Por este motivo, todos os dias 11 de fevereiro, o Dia das Mulheres e Raparigas na Ciência é celebrado com um objetivo: inspirar e promover a participação de mulheres e raparigas nas áreas CTEM.

As mulheres não nascem com menos aptidões para carreiras CTEM do que os homens, mas o seu interesse nos campos CTEM começa a desvanecer-se na escola básica, como a UNESCO assinala no seu relatório “Cracking the Code”. Assim, a chave para ultrapassar a diferença de género nestes temas é gerar vocações científicas e tecnológicas nas raparigas desde a mais tenra idade.

Mas as raparigas que vivem em ambientes rurais têm mais dificuldade em fazê-lo. Têm de enfrentar uma dupla desigualdade: serem mulheres e viverem em áreas remotas onde há menos oportunidades para reforçar a sua vocação científica e tecnológica.

Barreiras que acentuam o fosso entre géneros na ciência

#1 Estereótipos de género enraizados

Para que uma rapariga cresça e queira ser cientista, física ou engenheira, ela deve primeiro ser capaz de se imaginar a exercer esse trabalho. Durante anos, as raparigas brincaram tradicionalmente com bonecas e casas e os rapazes com carros e robôs. Este tipo de educação reforça o papel de cuidado das mulheres e a crença de que tudo relacionado com a CTEM é puramente masculino.

Embora estejamos cada vez mais conscientes da importância da educação em valores e igualdade, os estereótipos de género estão mais profundamente enraizados no meio rural.

#2 Falta de modelos a seguir

A divulgação de exemplos de mulheres que tiveram sucesso na ciência ou na tecnologia é a melhor vacina contra a diferença de género em CTEM. Desta forma podemos combater o medo do fracasso e ultrapassar a crença de que as mulheres não podem ter sucesso numa área que tem sido tradicionalmente dominada pelos homens.

Também aqui temos exemplos de mulheres de zonas rurais, como Peggy Whitson, a astronauta americana que foi a primeira mulher a liderar a Estação Espacial Internacional. Nasceu em Mount Ayr, uma pequena cidade de Iowa com menos de 2.000 habitantes, e cresceu numa quinta fora de Beaconsfield.

 #3 Menos oportunidades educativas

Workshops ou atividades extracurriculares em robótica, ciência ou tecnologia são uma grande oportunidade para as raparigas desenvolverem uma vocação para a tecnologia e a ciência. No entanto, nas zonas rurais existe uma oferta de formação escassa – por vezes inexistente. Através dos projetos GEN10S e L@bs4Opps, a Ajuda em Ação trabalha em Espanha e Portugal para despertar o interesse das raparigas pela ciência e tecnologia. Também o fazemos nas zonas rurais da Galiza e das Astúrias. Nos nossos projetos, todas as crianças aprendem a programar em linguagem Scratch ou App Inventor e desenvolvem projetos tecnológicos que têm um impacto positivo no seu ambiente. Desta forma, não só conseguimos gerar vocações científicas e tecnológicas, como também as ajudamos a descobrir as grandes possibilidades de desenvolvimento que a CTEM oferece aos seus territórios.

Conheça os projetos educativos que desenvolvemos em Portugal.

Juntos, #SomosAjuda.