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Tipos de Mutilação Genital Feminina

05-03-2020 Leitura 3 Minutos 3

Ajuda em Ação

Estima-se que 68 milhões de raparigas e mulheres sofrerão mutilação genital até 2030. Aqui vamos explicar-lhe em que consiste esta forma extrema de violência de género, os tipos de mutilação genital feminina que existem e como, com a sua ajuda, podemos mudar estes números.

O que é a mutilação genital feminina?

A mutilação genital feminina (MGF) é uma violação dos direitos humanos e uma forma extrema de discriminação que afeta 200 milhões de meninas e mulheres por todo o mundo. Consiste na alteração dos órgãos genitais femininos de forma intencional ou por motivos não médicos. Esta prática resulta de tradições muito enraizadas e é um prelúdio para outros problemas, como o casamento forçado ou a gravidez na adolescência.

Os diferentes tipos de mutilação genital feminina

Existem diferentes métodos de MGF. A classificação da Organização Mundial da Saúde identifica 4 tipos de mutilação genital feminina.

Tipo de MGF 1: clitoridectomia

Consiste na remoção total ou parcial do clitóris e, em casos muito particulares, apenas do prepúcio clitoriano.

Tipo de MGF 2: Excisão

Consiste na remoção parcial ou total do clítoris e dos pequenos lábios, com ou sem excisão dos grandes lábios.

Tipo de MGF 3: Infibulação

Estreitamento do orifício vaginal através da criação de uma membrana selante, pelo corte e aposição dos pequenos lábios e/ou dos grandes lábios, com ou sem excisão do clítoris.

Tipo de MGF 4: Outros tipos

Todas as outras intervenções nefastas sobre os órgãos genitais femininos por razões não médicas, como por exemplo a incisão, raspagem ou cauterização.

Seja qual for o procedimento, a MGF não apresenta nenhum benefício médico provado, antes pelo contrário. Pode, aliás, ter consequências imediatas como hemorragias, dor intensa ou inclusivamente provocar a morte, entre muitas outras. A longo prazo, as consequências incluem, por exemplo, problemas no parto e aumento do risco de morte para os recém-nascidos. Além das inquestionáveis consequências psicológicas associadas (depressão, ansiedade, perturbação de stresse pós-traumático, etc.).

Caroline,  ativista contra a Mutilação Genital Feminina

A mulher que vemos nesta fotografia chama-se  Caroline Kipchumba. Vive com a sua família no Quénia, local onde a Ajuda em Ação trabalha desde 1985 para acabar com a MGF. Graças a ativistas como a Caroline, conseguimos ir mais além nas nossas campanhas de educação contra a mutilação genital. Em Tambulguei, no oeste do país, Caroline conta-nos os benefícios que estas campanhas têm nas comunidades:

Ativismo contra a MGF

“Tradicionalmente as meninas são educadas desde muito pequenas (dos 10 até aos 17 anos) a serem donas de casa e a dedicarem-se exclusivamente às lides domésticas, depois de se submeterem ao tradicional processo de MGF.”

“O que me deixa muito feliz é que temos três meninas entre as primeiras que desafiaram a MGF, continuaram com a sua educação e, atualmente, trabalham em diferentes organismos governamentais. Estamos muito orgulhosos delas, foram as primeiras meninas da aldeia a conseguir um emprego formal competitivo. Convidamo-las sempre para as nossas ações de consciencialização comunitária. Uma delas, Jepchumba, é polícia, Rebecca é membro do conselho de administração pública do condado de Baringo e Jerop é professora de ensino secundário.”

A Ajuda em Ação contra a MGF

Em parceria com a Fundação Kirira trabalhamos no Quénia para acabar com esta forma extrema de violência de género. Temos uma casa-abrigo e dormitórios de resgate para ajudar meninas que fujam deste e de outros abusos. Além disso, como demonstrado pelo testemunho de Caroline, a educação é uma ferramenta fundamental para prevenir a MGF, razão pela qual levamos a cabo campanhas de sensibilização nas escolas. Estas campanhas são dinamizadas por clubes anti-MGF, nos quais várias estudantes das escolas utilizam cânticos, danças, poesia e teatro para explicar a MGF e as suas consequências às comunidades.

Apesar de todos os avanços, ainda há um longo caminho a percorrer para erradicar a MGF no Quénia. O panorama mundial também não é positivo. Segundo as previsões, 68 milhões de meninas serão mutiladas até 2030. Contamos com a sua ajuda para mudar estes números?