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A violência contra as mulheres no mundo

05-07-2018 Leitura 4 Minutos 3

Ajuda em Ação

Na Ajuda em Ação trabalhamos com rapazes, raparigas, jovens e mulheres no seio das suas próprias comunidades, procurando implementar mudanças e melhorias reais nas suas vidas, disponibilizando as ferramentas necessárias para que conheçam os seus direitos e capacitando-os para que se tornem nos protagonistas da mudança.

Através do nosso trabalho, podemos comprovar que para erradicar qualquer tipo de violência – sendo a violência contra as mulheres uma das mais graves e, infelizmente, também habituais – é necessário o seu reconhecimento público e conhecer as diferentes formas em que se apresenta.

O que é a violência contra as mulheres?

A violência contra as mulheres é um ato sexista que produz um qualquer dano físico, psicológico ou emocional e traduz-se em maus tratos verbais ou físicos em qualquer contexto. Hoje, alertamos para todos os tipos de violência contra as mulheres, porque não há nenhum que seja menor: todos são consequência da discriminação que as mulheres sofrem através de leis ou práticas e que persistem por razões de género. Todos – desde o menosprezo ou discriminação a uma agressão física, sexual ou um homicídio – são manifestações da necessidade de uma mudança e um problema gravíssimo que deve ser solucionado para alcançar uma igualdade real entre as pessoas.

La pobreza tiene rostro de mujer. ¡Cámbialo!

Que tipos de violência contra as mulheres existem?

Desta forma, é fundamental conhecer e reconhecer quais os tipos de violência que existem nas nossas sociedades para saber como combatê-los. É preciso ter em conta que não existe uma forma de violência pior do que a outra, pois todas advêm da discriminação e terminam na violência, opressão e até morte.

Entre as formas de violência mais comuns estão:

1. A violência económica

Diz respeito a qualquer ação ou ações (sejam elas diretas ou impostas por lei) que levam à perda de recursos económicos/patrimoniais por meio de limitações (por exemplos, as mulheres não podem ter as suas propriedades ou fazer uso do seu dinheiro ou dos seus direitos patrimoniais). Este tipo de violência contra as mulheres é um dos mais comuns, inclusive em países com um alto índice de desenvolvimento humano (IDH), e inclui todo o tipo de atos que gerem limitações económicas com a intenção de controlar o dinheiro ou privar de meios económicos que garantam a possibilidade de viver de forma autónoma.

2. Violência laboral

Está presente em dezenas e dezenas de países onde se dificulta o acesso o acesso das mulheres a cargos de responsabilidade no local de trabalho ou se complica a sua progressão ou estabilidade na empresa por ser mulher. Este tipo de discriminação é também um dos mais comuns e alguns exemplos disto são a desigualdade salarial entre homens e mulheres em cargos semelhantes ou os despedimentos ou não contratação destas mulheres por causa da possibilidade de engravidarem. Esta é uma realidade contra a qual temos todos de lutar, mulheres e homens.

Ao mesmo nível que a violência laboral, encontramos também a violência institucional.

3. Violência institucional

Acontece quando funcionários ou autoridades dificultam, atrasam ou impedem o acesso à vida pública, a adesão a certas políticas ou inclusivamente a possibilidade das pessoas exercerem os seus direitos.

4. Violência psicológica

Pode surgir em todos os tipos de contexto, embora o lar, o casal e a família sejam três dos mais comuns.  Consiste em qualquer situação em que nos sintamos desrespeitados enquanto pessoas ou em que tentem controlar as nossas ações ou decisões. Este tipo de violência contra as mulheres não precisa de chegar à perseguição ou humilhação, pode manifestar-se como assédio, restrição, manipulação ou isolamento, provocando danos emocionais e prejudicando o desenvolvimento pessoal destas mulheres. Estes graves problemas emocionais e psicológicos já acabaram por levar muitas mulheres ao suicídio.

A violência psicológica acaba por ser geralmente a porta de entrada para outros tipos de violência, como a física ou a sexual, pelo que é preciso ter muito cuidado se acreditar que está perante este tipo de violência.

5. Violência física

Traduz-se em qualquer ação que provoque dano ou sofrimento físico e que afete a integridade da pessoa: hematomas, feridas, queimaduras ou até um empurrão são formas de violência física e não têm qualquer justificação.

6. Violência sexual

Qualquer ação que ameace ou viole o direito de uma mulher decidir sobre a sua sexualidade, abrangendo qualquer forma de contacto sexual. A violência sexual não se limita a forçar uma mulher a ter relações sexuais contra a sua vontade, mas também a qualquer tipo de assédio, exploração, abuso ou intimidação, independentemente de acontecer dentro ou fora de um casamento ou de qualquer relacionamento.

7. Violência simbólica

Trata-se do tipo de violência que inclui estereótipos, mensagens, valores ou símbolos que transmitam ou favoreçam relações baseadas na desigualdade, no machismo, na discriminação ou na naturalização de qualquer papel de subordinação das mulheres nas nossas sociedades. É o tipo de violência contra as mulheres mais difícil de erradicar, uma vez que está enraizado na comunidade e é fortalecido pela mera permissividade: assim, uma piada ou a transigência perante valores tradicionalmente aceites tornam difícil uma mudança.

Agora que já conhece todos os tipos de violência contra as mulheres mais comuns, não importa se é homem ou mulher, denuncie qualquer situação de violência às autoridades ou através do portal Queixa Eletrónica e ajude a acabar com a violência de género no seu país. Também pode aliar-se à Ajuda em Ação nos seus projetos de defesa dos direitos das mulheres em países em desenvolvimento que combatem problemas como a mutilação genital feminina, o tráfico e os casamentos forçados. Ajude-nos a mudar o mundo para todos e para todas e a alcançar uma realidade onde a violência seja só um assunto do passado.

Ajude-nos a lutar contra a violência de género!

Ninguna mujer del mundo debería ser invisible. Defiende sus derechos.