O mundo não seria como é hoje se não fossem a figuras que, ao longo da História, lutaram contra o racismo. O seu sacrifício para defender os direitos das pessoas excluídas e discriminadas em prol de uma sociedade justa e igualitária, transformou o rumo da humanidade. No entanto, ainda há um longo caminho para percorrer. O ódio irracional contra pessoas de uma raça diferente continua bastante presente. Por essa razão, foi instituído o Dia Internacional contra a Discriminação Racial, para que não percamos a nossa consciência social. Assim, relembramos figuras históricas como Martin Luther King, Rigoberta Menchú, Rosa Parks, Nelson Mandela e tantas outras que durante a sua vida lutaram contra o racismo.

Quatro figuras históricas que lutaram contra o racismo


Martin Luther King: “I have a dream” (“Eu tenho um sonho”)


Martin Luther KingDurante anos, foi a voz da população afroamericana vítima de discriminação racial. Em 1995, organizou um protesto não violento contra a segregação racial depois de uma mulher negra, Rosa Parks, ter sido detida por negar dar o seu assento no autocarro a um homem branco. Liderou, também, um protesto pacífico em Washington onde proferiu o seu famoso discurso “I have a dream”. Nele expressava o seu desejo por um futuro onde brancos e negros pudessem coexistir em igualdade e harmonia. Em 1964, com somente 35 anos, recebeu o Prémio Nobel da Paz. Um ano depois, em plena luta pela igualdade de direitos dos indivíduos de raça negra, foi assassinado.

O discurso de Martin Luther King é fundamentalmente otimista e esperançoso. Propõe o ideal de uma sociedade sustentada nos valores da igualdade e da fraternidade, com um reconhecimento pleno dos direitos civis e das liberdades individuais da comunidade afroamericana.

Rosa Parks: “a única pessoa cansada era eu, estava cansada de ceder”


Rosa Parks, costureira de profissão, é conhecida como a Primeira Dama do Movimento pelos direitos civis nos EUA. Mas é, sobretudo, um símbolo da luta racial. Rosa viveu numa das épocas mais duras para a população negra. Depois de negar o assento a um homem branco num autocarro no estado do Alabama, deu início ao boicote dos autocarros de Montgomery, cidade onde residia. Após estes incidentes, o Tribunal Supremo dos Estados Unidos proibiu a prática da segregação racial nos autocarros.

Esta foi a primeira grande vitória dos negros norte-americanos contra as leis racistas do país. Em 1999, recebeu a Medalha de Ouro do Congresso pelas mãos do presidente Bill Clinton. Morreu aos 92 anos, vítima de Alzheimer.

Rigoberta Menchú: “a luta indígena deve ser uma luta de todos os povos”


Rigoberta MenchúRigoberta é uma ativista guatemalteca que ganhou o Prémio Nobel da Paz, em 1992, pelo seu papel na luta pelos direitos dos povos indígenas. A sua vida foi marcada pela discriminação racial e pela repressão dos indígenas por parte dos proprietários das terras. Vários membros da sua família foram vítimas desta repressão, o que a levou a organizar uma campanha pacífica para denunciar a constante violação dos seus direitos. Após se exilar no México, escreveu um livro onde contou a sua história de vida com o objetivo de consciencializar o mundo inteiro para repressão que sofriam os povos indígenas. Rigoberta percorreu o mundo com esta mensagem e conseguiu fazer-se ouvir junto das Nações Unidas. Atualmente, continua a ser uma figura ativa na luta pela igualdade de direitos dos povos indígenas.

Nelson Mandela: “Os verdadeiros líderes devem estar dispostos a sacrificar tudo pela liberdade do seu povo”


Advogado, político e ativista que se transformou no símbolo da resistência contra o apartheid (que em afrikaans significa “separação”). O apartheid consistiu num conjunto de leis que durante 50 anos discriminaram a população negra e indígena da África do Sul e garantiram privilégios à minoria branca. Mandela juntou-se ao Congresso Nacional Africano (CNA) e organizou, em conjunto com o seu partido, uma resistência pacífica para lutar pelos direitos da população negra. Porém, a violência e a brutalidade policial contra os manifestantes levaram a que esta se transformasse numa resistência armada.

Mandela passou 27 anos na prisão por alta traição. Foi libertado em 1990 graças a uma forte pressão nacional e internacional, marcando assim um antes e um depois na História da África do Sul. Após a sua libertação, todos os partidos foram legalizados, incluindo aqueles que defendiam a igualdade racial. Em 1994, tornou-se o primeiro presidente negro da África do Sul e governou o país até 1999. Faleceu em 2013 e o seu grandioso funeral, que decorreu em Joanesburgo (África do Sul), acolheu mais de 100 chefes de Estado. As homenagens em sua memória prolongaram-se por uma semana.

Em homenagem a todas as personalidades que lutaram contra o racismo


Foram muitos mais os nomes e as personalidades que fizeram história na luta contra o racismo e serão também muitos os que darão seguimento a este legado. Todos estas figuras contribuíram para uma mudança na História e muitas delas acabaram por perder a sua vida durante esta luta. A melhor forma de dar continuidade ao seu legado é seguir o seu exemplo e reconhecer os seus feitos, continuando a percorrer o caminho que traçaram.

Estas pessoas contribuíram com o seu esforço, mas todos nós podemos fazer algo pela luta pela igualdade. Na Ajuda em Ação apostamos na educação intercultural e na integração social como fatores fundamentais para construir um mundo mais justo em que todos possamos viver em paz.

Há décadas que lutamos pelo respeito da cultura e da identidade de todos os povos no mundo inteiro. Com o projeto Aqui Também de Camarate, no qual promovemos o empreendedorismo feminino, mulheres de diferentes etnias podem encontrar um espaço comum de cooperação e trabalho em equipa.