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Bicicleta e desenvolvimento: 3 exemplos de pedaladas contra a desigualdade

01-06-2021 Leitura 3 Minutos 3

Albert Einstein disse que “a vida é como andar de bicicleta, para manter o equilíbrio é preciso continuar a andar”. Este artigo fala precisamente de bicicletas e de como elas podem ajudar-nos a avançar para um mundo que, não só é mais sustentável, mas também é mais justo. Descubra três projetos que utilizam bicicletas para combater a desigualdade em Moçambique e na Tanzânia.

Bicicletas contra a desigualdade

As bicicletas estão a ficar cada vez mais na moda. A sua utilização como um meio de transporte saudável e sustentável continua a ser um tema recorrente na sociedade, ainda mais em tempos de COVID-19. No entanto, a sua lista de vantagens é muito mais longa. As Nações Unidas promovem o Dia Mundial da Bicicleta no dia 3 de Junho para nos recordar os seus benefícios:

-É um meio de transporte acessível, simples e sustentável.

-Melhora a nossa saúde.

Encoraja a criatividade e a participação social.

-Facilita a inclusão social.

-Permite aos ciclistas conhecerem o seu ambiente em primeira mão.

-Promove o consumo e a produção sustentáveis.

-Pode servir como um instrumento para o desenvolvimento, facilitando o acesso à educação, ao desporto, à saúde e favorecendo a geração de emprego e rendimentos.

Projetos que combinam bicicletas com desenvolvimento

1.Work 4 Progress: ovos, bicicletas e igualdade

Desde que a Ajuda em Ação começou a participar no projeto Work 4 Progress da Fundação “la Caixa”, a vida de Ucatissa tem decorrido sem sobressaltos. Ela é uma das 24 mulheres que participam no projeto de distribuição e comercialização de ovos que estamos a desenvolver em Pemba, Cabo Delgado, no norte de Moçambique. Todos os dias, vão de bicicleta à empresa de distribuição, Elaco Orrera, para recolher os ovos que depois revendem no mercado local. Os impactos positivos deste empreendimento são muitos:

-Melhoram os seus rendimentos e, consequentemente, a sua autonomia económica.

-Aumentam a disponibilidade deste produto na área.

-Ajudam a combater a desnutrição, uma vez que têm um elevado valor nutricional.

-O aumento do consumo de ovos irá aumentar a produção de soja e milho para alimentar as galinhas. Existe também aqui uma oportunidade de negócio para as mulheres rurais da zona, que podem apostar no cultivo de milho amarelo, que é necessário para a produção de ovos de maior qualidade.

Ouvi dizer no meu bairro que a empresa Elaco Orrera procurava mulheres para venderem os seus ovos. Quando fui selecionada para participar no programa, recebi formação, um kit de 180 ovos e uma bicicleta. A partir daí, comecei o meu próprio negócio. Hoje, com os lucros que obtenho com os ovos, compro refrigerantes para revender. Agora tenho mais dinheiro para alimentar os meus quatro filhos (Ucatissa Pataia)..

2. Bici-enxadas para uma agricultura sustentável

 

Antes de começarem a participar no Work 4 Progress, os agricultores de Cabo Delgado, uma das províncias mais pobres de Moçambique, passaram metade do seu tempo a remover as ervas daninhas das suas plantações. Fizeram-no à mão ou com ferramentas muito rudimentares, o que lhes roubou tempo e recursos para produzir vegetais suficientes em quantidade e qualidade. Até as bicicletas chegarem aos seus jardins!

Criámos arados e pulverizadores de bicicleta que lhes permitem cobrir parcelas de terreno muito maiores, reduzindo o seu tempo de limpeza dos terrenos até 50%! 

3. Aluguer de bicicletas para mulheres rurais na Tanzânia

Outro exemplo de um projeto de bicicleta contra a desigualdade pode ser encontrado em Msitu Wa Tembo, uma pequena comunidade rural localizada ao lado de Kilimanjaro, na Tanzânia. É desenvolvido pela ONG Projecto Tatu em colaboração com a Global Bike e consiste numa loja de aluguer de bicicletas que está a obter benefícios tanto para os trabalhadores, clientes e para a comunidade:

-Para os trabalhadores significa um salário estável e uma oportunidade de fazer uma gestão responsável dos benefícios.

-Para os clientes, a maioria dos quais são mulheres, poupa-lhes cerca de 80 horas de caminhada por mês. As consequências? Melhora o seu acesso à água, aos mercados e aos serviços de saúde. Também beneficia a sua educação, uma vez que as longas distâncias a pé impediram alguns estudantes de frequentar a escola.

Toda a comunidade beneficia: as suas mulheres são capacitadas, a saúde melhora e o rendimento entra numa localidade, e num país, marcado pela pobreza, especialmente a pobreza feminina. Segundo o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), quase metade da população tanzaniana vive com menos de dois dólares por dia.

Como podem ver, um guiador, uma sela e duas rodas podem conduzir-nos a um presente e futuro mais sustentáveis, justos e igualitários. Conhece projetos que utilizam bicicletas para combater a desigualdade?

Artigo original da Ajuda em Ação Espanha AQUI.