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Uma nova normalidade: é tempo de cuidar da nossa saúde mental

21-07-2020 Leitura 3 Minutos 3

Ajuda em Ação

O isolamento social durante o confinamento, o medo do contágio, enfrentar o luto em condições excecionais ou a perda de rendimentos ou do emprego… Em pouco tempo a nossa mente teve de se adaptar a uma nova realidade e enfrentar múltiplas dificuldades. E tudo isso deixou uma marca em nós. Por isso, é importante que nesta etapa – a chamada “nova normalidade” – não deixemos de lado a nossa saúde emocional e mental.

Saúde emocional em tempos de COVID-19

Durante os meses em que estivemos confinados, dedicámos tempo à nossa saúde com uma boa alimentação e exercício físico. Mas também desenvolvemos novas rotinas para cuidar da nossa saúde interna. Isso abrange tanto a vertente emocional (sentimentos e emoções) quanto a mental (pensamentos, medos, crenças, etc.).

Neste sentido, essas rotinas diárias durante os meses de confinamento desempenharam um papel fundamental para o nosso bem-estar geral. Como fizemos isso?

Saúde mental e COVID-19– Partilhando mais tempo e espaço do que antes com as pessoas com quem vivemos.

– Com o apoio da tecnologia, mudámos a maneira como nos relacionamos com os nossos entes queridos.

– Utilizámos ferramentas tecnológicas em nosso benefício para trabalhar e aceder ao lazer e entretenimento.

– Incluímos novas atividades nas nossas vidas, adaptando-as ao confinamento (como desportos e meditação).

Todas estas mudanças foram importantes para manter a nossa saúde nesta fase em que ficámos confinados. No entanto, apesar de todos os nossos esforços, o desconforto mental e emocional de muitas pessoas aumentou. A OMS alertou precisamente para o aumento dos sintomas de depressão e ansiedade entre a população confinada.

Os desafios em termos de saúde emocional durante a “nova normalidade”

Stress, ansiedade, insónias, depressão, frustração… A maioria destes estados negativos é transitória e está ligada ao próprio confinamento. Assim, espera-se que desapareçam progressivamente com o início do desconfinamento. Mas se não queremos que estes problemas se tornem crónicos ou levem a distúrbios psicológicos graves, é importante que também os valorizemos nesta nova etapa.

Por outro lado, durante a “nova normalidade”, sentimentos de medo podem aparecer perante o aumento da exposição ao vírus, possíveis surtos ou incertezas. É importante mencionar que o medo desempenha um papel adaptativo nas nossas vidas e é comum surgir em situações como as que enfrentamos. Para que não se torne um problema a médio ou longo prazo, é importante preparar emocionalmente as práticas de autocuidado.

Este tipo de prática é muito benéfico porque nos fará aumentar a nossa perceção de controlo sobre as nossas ações – o que é conhecido como locus de controlo. Dessa maneira, seremos capazes de nos sentir melhor emocional e mentalmente, impedindo que o medo se torne um elemento bloqueador na nossa “nova normalidade”.

Dicas de autocuidado emocional para uma nova etapa

Abaixo, destacamos um conjunto de dicas simples de autocuidado que pode começar a aplicar agora:

– Identifique e expresse as suas emoções. Tire um tempo para pensar em si, para que possa comunicar de forma sincera e assertiva.

– Planeie o seu próprio regresso ao “novo normal”.

– Enfrente o processo como algo gradual. Defina metas pequenas que reforcem as grandes realizações que deseja alcançar.

– Siga as rotinas de proteção contra o vírus: uso de máscara, lavagem das mãos, distanciamento social.

– Mantenha-se informado, mas não caia em excesso de informação. Tente combater as notícias que chegam até si de fontes não confiáveis ​​e controlar o fluxo de informações a que acede.

– Continue a despender tempo com o seu autocuidado. Mantenha as rotinas que foram benéficas para si durante o confinamento, como exercícios físicos, leitura, escrita ou meditação.

– Cuide dos seus relacionamentos pessoais. Continue a manter contacto e o apoio da sua família e meio ambiente, procurando novas maneiras de conhecer e, acima de tudo, desfrutar da companhia de todos.

– Crie expetativas a curto prazo e evite antecipações negativas. Evite pensar nas possíveis consequências finais e concentre-se nas notícias confirmadas a curto ou médio prazo.

Embora estas orientações sejam aplicáveis ​​a toda a população, há pessoas que podem sofrer consequências mais profundas. Nos casos mais complexos em que, por exemplo, o stress pós-traumático se desenvolve, é importante ter o apoio de um profissional.

Esperamos que siga estas dicas para cuidar da sua saúde emocional durante esta nova fase da nossa vida. Isso ajudará a que se sinta melhor consigo mesmo, a melhorar a sua capacidade de gerir os seus sentimentos e a lidar com as dificuldades futuras que possam surgir.