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Pandemias para além da Covid-19

21-08-2020 Leitura 5 Minutos 3

Ajuda em Ação

Nos últimos meses temos vindo a incorporar várias palavras no nosso vocabulário diário. Uma delas é a palavra pandemia. Mas o que sabe acerca desta palavra? Conhece as pandemias anteriores à do novo coronavírus? Se quer conhecer mais sobre doenças e pandemias para além da Covid-19 só tem que continuar a ler.

Pandemia: a origem do nome

Como grande parte do nosso vocabulário, a palavra pandemia vem do grego. Pan significa “tudo” e demos “população”. Estritamente a nível etimológico, a palavra pandemia significa “reunião do povo”, mas o seu verdadeiro significado está relacionado com a saúde. A definição deste termo tem sido adaptada ao longo do tempo. Atualmente, a Organização Mundial de Saúde (OMS) denomina de pandemia a propagação mundial de uma nova doença, com caráter infecioso e de tipo epidémico, que ocorre simultaneamente em diferentes países e que afeta uma parte significativa da população.

Características de uma pandemia

Há três conceitos que devemos saber diferenciar corretamente: surtos, epidemias e pandemias. Se estivermos a falar de um surto, referimo-nos a doenças infeciosas que ocorrem num tempo e lugar delimitados. Se esse surto se descontrola e se estende no espaço – e além disso permanece durante algum tempo podemos estar a falar de uma epidemia (foi o que ocorreu, por exemplo, com o ébola). O salto de epidemia para pandemia requere que a primeira afete vários continentes, mas que os casos não sejam importados, ou seja, sejam transmitidos dentro do próprio continente/país.

Foi, claramente, o que aconteceu com o coronavírus: nascido na China, a globalização facilitou a sua disseminação e o contágio local da doença, generalizando-se em quase todos os países do mundo.

Pandemias ao longo da história

A mais recente pandemia conhecida é a do novo coronavírus identificado, o SARS-COV-2, que gerou a pandemia da doença Covid-19. Mas evidentemente não foi a única. Podemos começar por falar da Peste Antonina no ano de 165 que matou cinco milhões de pessoas. Mas também podíamos mencionar a Praga de Justiniano (acredita-se que fosse semelhante à varicela ou ao sarampo) que ocorreu a meados do século IV e que provocou entre 30 e 50 milhões de mortes.
Mas existiram muito mais pandemias. Neste artigo vamos abordar algumas das mais recentes ou outras que tiveram enorme impacto nas comunidades com as quais trabalhamos pelo mundo fora.

A Peste Negra (1347-1351): uma das pandemias mais letais

Alguns de nós conhecem esta pandemia através do cinema ou da televisão, mas com mais de 200 milhões de mortes, esta pandemia foi uma das mais perigosas da história da humanidade. Transmitida através de parasitas alojados nos animais ou em pessoas, crê-se que a doença nasceu na Ásia e se estendeu para a Europa graças aos elevados fluxos comerciais da época. Só na região que é hoje conhecida como península ibérica, a população viu-se reduzida para menos de metade devido a esta pandemia. Na Europa, a população foi reduzida para metade e foram precisos dois séculos para recuperar os números anteriores à pandemia.

A chamada gripe espanhola (1918-1919)

A falta de transparência entre as potências que participaram na I Guerra Mundial fez com que vários países não fossem informados da existência desta pandemia no pós-guerra. O facto de Espanha ter sido um país neutro neste conflito fez com que a doença começasse a ser divulgada nos meios espanhóis e,. por isso, a pneumónica acabou por ficar conhecida como “gripe espanhola”, ainda que não tenha tido origem em Espanha e que este não tenha sido sequer um dos países mais afetados. Esta pandemia foi responsável por entre 40 e 50 milhões de mortes. Estima-se que na população norte-americana tenha havido mais mortes por causa da doença do que mortes diretamente relacionadas com a Grande Guerra. O vírus que causa a doença, um H1N1, foi ressurgindo em vários surtos ao longo de 38 anos.

Gripe suína ou Gripe A (2009-2010): a última pandemia antes da Covid-19

Se estamos a falar de H1N1 temos de mencionar a última pandemia conhecida antes da Covid-19. Diferentes tipos de gripe de origem humana e animal juntaram-se à gripe suína euroasiática e deram origem a este vírus que acabou com a vida de 200.000 pessoas. Em comparação com outras pandemias, o número de mortes pode não parecer muito alto, mas o número de infeções foi: afetou entre 11 e 21% da população mundial.

Vírus da Imunodeficiência Humana (VIH): uma pandemia que começou em África

O mundo nunca tinha ouvido falar deste vírus até 1983, quando a prestigiada revista Science publicou um artigo sobre ele. Com menos de 40 anos de história, já tirou a vida a cerca de 35 milhões de pessoas no mundo. Atualmente, estima-se que vivam com o vírus cerca de 37 milhões de pessoas. Muitas delas, sobretudo em países em desenvolvimento, nem sequer o sabem. Em África esta pandemia é a principal causa de morte entre os adolescentes, sendo que as mulheres e as raparigas são as mais afetadas.

A Ajuda em Ação nunca deixou de lutar contra este vírus nos países onde trabalha e onde podem existir focos desta doença. Há uns meses, abrimos nas Honduras alguns laboratórios móveis de deteção e tratamento da SIDA, que beneficiará mais de 1.500 mulheres e 500 homens.

Contra as pandemias e outras doenças infeciosas, #SomosAjuda

Apesar de todas estas pandemias, atualmente a Ajuda em Ação encontra-se totalmente focada em dar resposta à emergência global que é a Covid-19. Tanto em Portugal e Espanha, como em quase 20 países do mundo (localizados principalmente na América Latina e em África), a Ajuda em Ação está a disponibilizar à população ferramentas que permitam prevenir e mitigar no primeiro instante as consequências do vírus.

A atuação na área da saúde perante uma pandemia não é novidade para a nossa organização. A prevenção e resiliência são a base do nosso trabalho. É por isso que nos nossos projetos insistimos na importância da higiene, construindo infraestruturas como poços ou latrinas, para evitar o contágio e surtos de determinadas doenças.

Além disso, incentivamos a vacinação entre a população mais desprotegida e vulnerável (sobretudo na infância) para evitar surtos de doenças como o sarampo. Este é um dos vírus que mais se teme na atualidade em África. Neste continente, onde convivem inúmeras doenças, o coronavírus está a interromper os calendários de vacinação. Teme-se que surjam outras epidemias mais letais e mais contagiosas, como o sarampo ou a poliomielite.

Aconteça o que acontecer, estamos preparados para dar uma resposta de ajuda humanitária graças à solidariedade de milhares de pessoas, empresas e instituições que nos apoiam. Porque juntos, #SomosAjuda.