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Sem saúde não há desenvolvimento na Muskitia hondurenha

23-12-2020 Leitura 3 Minutos 3

Ajuda em Ação

A saúde na Muskitia hondurenha é fundamental para conseguirmos continuar a impulsionar o desenvolvimento económico desta região, onde a população é maioritariamente indígena. Este é o grande objetivo do projeto PIAH, financiado pela UE e implementado pela Ajuda em Ação, Funach, GOAL e Mimat. Juntos criamos as bases necessárias para dinamizar as economias locais das comunidades indígenas e afro-hondurenhas da Muskitia. Contudo, perante o impacto da Covid-19, o principal objetivo do projeto foi reformulado para proteger a saúde da população sem perder de vista a economia.

Para isso, acabámos de assinar um acordo com a Região Sanitária do Departamento de Gracias a Dios para contratar médicos que trabalhem nas unidades de saúde em Puerto Lempira e Batalla, no município de Juan Francisco Bulnes.

Embora o novo coronavírus tenha chegado mais tarde ao departamento de Gracias a Dios do que a outras regiões das Honduras, muitas pessoas acreditavam que a distância e a falta de acessos à região tornariam impossível o seu avanço. Contudo, a Covid-19 acabou por chegar e tornou ainda mais evidentes as desigualdades já existentes.

Aliar a medicina e a tradição

Um dos principais objetivos deste acordo passa por uma resposta rápida através de visitas porta a porta, garantindo sempre o distanciamento físico, mas nunca impedindo o calor humano de cuidar da saúde perante a ameaça da Covid-19 e de outras doenças. Os profissionais de saúde contratados no âmbito deste projeto assistem a população miskita para preservar a sua saúde. Em particular, junto dos empreendedores que fazem parte do projeto PIAH.

Dá-nos permissão para entrarmos em sua casa e verificar o seu estado de saúde?”: esta é a pergunta que a doutora Katherine Zapata faz em todas as suas visitas domiciliárias. Alguns dos seus pacientes são céticos em relação à medicina, uma vez que os seus antepassados os ensinaram que toda a vida e bem-estar provém da natureza. O projeto respeita as crenças da população indígena e tem em conta a sua experiência: “aliar a medicina tradicional com a ancestral é fundamental para garantirmos a harmonia entre estes dois mundos”, explica a doutora Zapata.

O acordo também prevê o apoio aos centros de triagem onde se avaliam os pacientes com suspeitas de Covid-19. Nestes centros, os profissionais de saúde realizam exames de diagnóstico e dão o acompanhamento necessário.

A saúde e o dinamismo económico indígena

As populações indígenas e garífunas necessitam de sistemas de saúde que lhes permitam alcançar um desenvolvimento económico sustentável. “É evidente que uma comunidade sem acesso a um sistema de saúde bom e adequado vai diminuindo a sua capacidade de atuação junto das pessoas. Isto manifesta-se na população miskita, onde convivem quatro povos indígenas e um afro-hondurenho. A fragilidade da saúde tem consequências diretas na qualidade de vida e também no cumprimento e garantia dos direitos humanos”, explica Roberto Bussi, diretor nacional da Ajuda em Ação Honduras.

Os desafios são grandes, mas no projeto PIAH e na comunidade hondurenha acreditamos que a saúde na Muskitia é vital para alcançar um desenvolvimento económico.

A Ajuda em Ação e os povos indígenas e afro-hondurenhos

Durante a emergência da Covid-19, na Ajuda em Ação Honduras não parámos. Continuámos a dar resposta a milhares de famílias, dotando-as com as ferramentas necessárias para que possam empoderar-se e criar as suas próprias iniciativas empresariais para gerar rendimentos e empregos, que, de uma forma geral, permitiram garantir uma melhor qualidade de vida para estas populações indígenas. Porque juntos contra a crise gerada pela pandemia, também #SomosAjuda para os povos indígenas e afro-hondurenhos.

*Este artigo foi publicado originalmente em espanhol, no site da Ayuda en Acción. Pode lê-lo aqui.