#SOMOSAJUDA de 1981 |
Categorías

Dia do Cooperante: testemunhos em tempos de COVID-19

08-10-2020 Leitura 0 Minutos 3

Ajuda em Ação

Imagine que a solução para a COVID-19 se podia encontrar numa palavra do dicionário: qual escolheria? Na Ajuda em Ação sabemos bem qual escolheríamos: “cooperar” é trabalhar em conjunto com outras pessoas para a concretização de um objetivo comum. Todos fazemos parte da solução. Está nas nossas mãos construir um novo mundo pós-Covid-19 centrado no desenvolvimento sustentável para todas as pessoas, em qualquer lugar. Hoje queremos dar-lhe a conhecer uma figura profissional fundamental para garantir que ninguém fique para trás nesta pandemia: a pessoa cooperante.

Dia do Cooperante em tempos de COVID-19

No dia 8 de setembro, em Espanha, celebra-se o Dia do Cooperante, uma data criada pela Agência Espanhola de Cooperação Internacional para o Desenvolvimento que serve para reconhecer o trabalho de todos os homens e mulheres que se dedicam profissionalmente à cooperação internacional para o desenvolvimento e ação humanitária. Gostaria de conhecer melhor o seu trabalho diário, as vantagens e desvantagens desta profissão ou como estão a viver esta crise da COVID-19? Então, não perca estes testemunhos de várias pessoas cooperantes da Ajuda em Ação!

Patricia Cabrera, cooperante em Moçambique

Testemunho de uma cooperante da Ajuda em AçãoCom nervosismo, muita vontade e, sobretudo, muitos sonhos. Assim se sentia a nossa colega Patricia quando, há mais de seis meses, preparava as malas para deixar Espanha rumo a Moçambique. Atualmente, a Patricia é responsável por gerir o financiamento dos nossos projetos neste país africano e, neste momento, está a trabalhar a partir de Espanha até que melhore a situação atual da COVID-19. Apesar dos desafios de trabalhar num país marcado pela pobreza e pela desigualdade, quando lhe perguntamos o que significa para ela ser cooperante, partilha: não se trata de trabalhar como se fosse uma heroína, mas sim de fazê-lo com humildade: “Ser cooperante, para mim, não é um trabalho de heróis, não é um trabalho diferente daquele que qualquer um de nós poderia fazer. Significa trabalhar de forma humilde naquilo que se gosta, trabalhar com pessoas, sobretudo, trabalhar com pessoas! E apoiarmo-nos uns aos outros. Eu aprendo muito com as pessoas em cada viagem que faço e elas aprendem comigo.”

Alberto Farrán, cooperante no Uganda

A partir de Kampala, capital do Uganda, o nosso companheiro Alberto também escolhe a palavra “humildade” para descrever o seu trabalho como responsável pela gestão e financiamento neste país africano. “Ser cooperante poderia resumir-se de uma forma muito breve em saber escutar, ser-se humilde, aprender, construir em equipa; é desenterrar a esperança que germina entre as fendas de um mundo em agonia, tentar varrer as tristezas e reforçar a esperança”. A principal lição que aprendeu até ao momento enquanto cooperante é que todos nós, em qualquer canto do mundo, somos mais parecidos do que pensamos: “Apesar de virmos de contextos diferentes, todos temos os mesmos medos, sonhos, fragilidades, esperanças e ilusões… É um dever coletivo protegermo-nos e cuidarmos uns dos outros porque somos seres interdependentes”. À pergunta “Está a COVID-19 a afetar o seu trabalho como cooperante?” A resposta é sim, pois o Uganda, tal como no resto do mundo, não está alheio às consequências causadas pela pandemia. “Estamos a reprogramar muitas atividades para nos adaptarmos a este novo contexto, sobretudo através de formações para prevenir o contágio e distribuição de material sanitário e de proteção”, conta-nos.

Roberto Giuliotto, cooperante na Etiópia

Roberto dirige o escritório da Ajuda em Ação na Etiópia, um dos países mais pobres de África e do mundo. Para ele, ser cooperante vai mais além de uma mera profissão… é um estilo de vida! “Desde muito jovem que me juntei a associações que promovam os direitos humanos, fiz voluntariado tanto no meu país de origem, Itália, como em países mais pobres, e estudei para melhorar os meus conhecimentos e especializar-me para poder ajudar as pessoas mais vulneráveis de uma forma profissional. Em poucas palavras, ser cooperante permitiu-me aplicar os valores e princípios que defendo numa profissão. Da mesma forma que alguém que se dedica à medicina ou ao ensino, é necessário ter uma motivação muito forte para querer ajudar os demais e compreender as dificuldades que enfrentam”. Também nos conta que nem tudo é cor de rosa quando nos dedicamos à cooperação: “É um trabalho, por vezes, duro, que nos expõe a riscos inclusivamente em relação à nossa segurança mas, ao mesmo tempo, muito enriquecedor de um ponto vista humano. Além do lado mais romântico, também exige cada vez mais preparação e conhecimentos técnicos para obter o impacto esperado e gerir corretamente os recursos materiais e humanos disponíveis”. Sobre o impacto da COVID-19 no nosso trabalho na Etiópia, é de destacar o esforço diário da nossa equipa para adaptar os projetos aos novos desafios derivados da pandemia: teletrabalho, protocolos de segurança, adaptação dos projetos, medidas de higiene tanto para os profissionais da ONG como para as comunidades… Um grande desafio ao qual nunca renunciaremos, pois permite-nos ser ajuda para milhares de famílias em situação de vulnerabilidade. Hoje e todos os dias, a nossa equipa de cooperantes continuará a trabalhar em conjunto para a concretização de um objetivo comum: um mundo mais sustentável, justo e equitativo.