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Direito à educação e COVID-19 em países em desenvolvimento

21-07-2020 Leitura 3 Minutos 3

Ajuda em Ação

Nos últimos anos, embora de maneira muito lenta e desigual, os direitos humanos avançavam pouco a pouco: educação, saúde, trabalho… No entanto, a pandemia do novo coronavírus levou a que, pela primeira vez desde 1990, o mundo experimentasse uma queda geral no desenvolvimento humano. Um dos direitos mais afetados pela COVID-19 é o direito à educação. Descubra qual é o impacto nos países em desenvolvimento e como estamos a trabalhar na Ajuda em Ação para combater esta situação.

Direito à educação e COVID-19: um impacto desigual

A maioria dos países fechou as suas escolas para tentar impedir a propagação do coronavírus. O resultado? Mais de 1.200 milhões de estudantes em todo o mundo foram afetados na educação. Já temos alguns números que refletem as consequências globais desse “intervalo”:

Mais de metade das crianças do mundo não tem acesso à Internet perdendo, assim, a sua principal oportunidade de continuar a aprender durante o confinamento.

– 60% das crianças não estão a ter acesso à educação.

–  Se não houver melhorias, até o final de 2020 a taxa efetiva de crianças fora da escola será a que o mundo teve na década de 1980. Este é o maior declínio já registado.

No entanto, o facto de estarmos a falar de um impacto global não significa que afete todas as partes do mundo da mesma forma. As piores consequências são sentidas pelas crianças que vivem nos países em desenvolvimento. Se o seu direito à educação já estava em risco antes da chegada do vírus às nossas vidas, a pandemia está a piorar a situação.

O Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) calculou o impacto da COVID-19 na falta de acesso à educação nos diferentes países. As desigualdades são maiores do que nunca:

Países com baixo desenvolvimento humano: em lugares como Níger, Mali, Chade ou Moçambique, 86% das crianças estão agora fora do ensino primário.

– Países de desenvolvimento humano médio: países como Quénia, Honduras ou Nicarágua estão incluídos aqui. Após a COVID-19, estima-se que 74% das crianças não possa aceder ao ensino básico.

Países de alto desenvolvimento humano: é o caso, por exemplo, da China, Peru ou México. Aqui, a taxa de abandono escolar é de 47%.

Países com desenvolvimento humano muito alto: Noruega, Espanha ou Chile. Neste caso, a taxa de meninas e meninos fora da escola seria agora de 20%.

De 20% a 86%. É preocupante, certo? Em resumo, dependendo de algo aparentemente aleatório como o local em que vivemos, ir à escola depois da COVID-19 pode ser uma utopia ou uma realidade.

Para além do abandono escolar

Direito à educação e impacto da COVID-19O encerramento das escolas devido à COVID-19 causou muito mais do que o abandono escolar precoce. Por exemplo, as cantinas escolares são a única oportunidade para garantir que muitas crianças vulneráveis ​​possam aceder a uma refeição saudável e equilibrada por dia. As escolas também funcionam como espaços de proteção para impedir que muitas crianças sejam vítimas de algum tipo de violência. Em países como o Quénia, as escolas servem inclusive para impedir que muitas meninas sejam vítimas de mutilação genital.

Defendemos a educação em tempos de coronavírus

A educação é um dos direitos mais importantes que devem ser protegidos em situações como a de emergência que estamos a enfrentar. As razões?

– Manter o acesso à educação ajuda, na medida do possível, a contribuir com um pouco de normalidade num contexto que pode ser traumático para muitas crianças.

– As crianças mais vulneráveis ​​correm o risco de serem deixadas para trás durante emergências e nunca recuperarem o seu ritmo normal de aprendizagem.

– A educação é uma ferramenta muito poderosa para se recuperar após uma emergência. Todas as pessoas que compõem a comunidade educativa podem  tornar-se agentes de mudança: disseminando medidas de prevenção e proteção entre os estudantes, promovendo valores como solidariedade ou empatia, etc.

Por estas e muitas outras razões, garantir o direito à educação é um pilar fundamental da nossa resposta humanitária face à COVID-19. A distribuição de tablets, ferramentas educativas ou apoio a professores e famílias são algumas das ações que estamos a desenvolver para apoiar as crianças mais vulneráveis.

Agora, mais do que nunca, #SomosAjuda face à COVID-19, para defender uma educação inclusiva, equitativa e de qualidade, tanto em Portugal e Espanha, como nos nossos projetos na América Latina, Ásia e África.